quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Começar bem a semana

Ora bem, pois que esta semana decidi ser feliz, é verdade, tentar ser feliz ainda que em circunstâncias tudo menos felizes, contentar-me com o que tenho, aceitar o que não tenho, dar mais valor às pessoas que me são importantes (egoísmos à parte, neste preciso momento a mais importante sou eu mesma), tentar estar presente na vida dos poucos mas bons amigos, (alguns têm sido verdadeiras bençãos) daqueles que não fogem a sete pés quando estamos no merdum, ir a uma entrevista aqui, outra acolá, deixar cv's em sítios nos quais nunca imaginei, não por serem melhores ou piores mas porque nunca pensei estar numa situação destas com a agravante de ser na actual conjuntura, motivar-me (por vezes é mesmo difícil), ser ou tentar ser empreendedora no meio deste cenário negro, ir aos cursos de cozinha da Bimby com o maridão (Simmm, agora até gostamos de cozinhar) promovidos pela Vorwerk (os mesmos cursos para os quais nunca tinha tempo apesar de serem em horário pós-laboral) e que nos dão oportunidade para aprender coisas novas, práticas e simples, conviver e partilhar experiências com quem também tem uma Bimby em casa, ir ao maravilhoso mundo do Ikea e projectar 1001 coisas para a nossa casa ainda que muitas e na sua grande maioria fiquem pelo papel, no catálogo, na nossa mente ou em fotos tiradas à pressão com o iphone do meu coração, porque não há € para tudo o que queremos (eu iria mais longe e diria mesmo que não há € para NADA) e mais do que nunca há que definir prioridades que não passam propriamente por fazer alterações ou renovações desse género e é pena porque o espírito também precisa de conforto e de alimento e por vezes mais ainda do que o corpinho.
Quem me conhece bem sabe que quando meto uma coisa na cabeça, está tudo estragado (ou não, depende da perspectiva) pelo que na 2ª feira rumei sozinha em modo 'Su no seu casulo' à Casa das Histórias da Paula Rego onde já não punha estes meus pezinhos lindos há muito e lá fui eu com este senhor a fazer-me companhia durante o trajecto
O que se segue, foi o que escrevinhei enquanto tomava o pequeno almoço, escrevinhar no caderno que me acompanha, vá para onde fôr, tornou-se um hábito há muito tempo. Sobre o hábito de escrevinhar tenho episódios engraçados dependendo da perspectiva e do sentido de humor de cada um mas fica para um próximo post, quem sabe.

Ao chegar, achei por bem começar pela cafetaria uma vez que saí de casa em jejum (coisinha feia, nada saudável e pouco fashion nos dias que correm): escolhi chá verde e menta da Kusmi e um pãozinho integral com cereais e fatiazeca de fiambre. A loiça é branca tal como eu gosto e prefiro (tem algo de zen, é só por isso que gosto e não a minha usual cagança). Ah...tenho a casa inteira só para mim e para quem aqui trabalha. Trouxe a máquina fotográfica...não sei se tem bateria suficiente para fotografar enquanto deambulo por aí mas isto não passa de um pormenor que hoje estou optimista, coisinha rara em mim e contra a minha religião.
Mas afinal ainda sobra o suficiente para 'disparar' para tudo o que me chamar à atenção.
Está ali um pombo solitário pelo jardim mas já lhe estragaram o esquema, já se lhe juntaram outros tantos, são como algumas pessoas, não podem ver nada, pelo que foi sol de pouca dura. Por falar em sol, parece que está a querer aparecer e dar um arzinho da sua graça.
O silencio, este tipo de silêncio, escolhido por nós, é bom e faz maravilhas à alma. Entretanto, o único empregado que aqui está, passa num vai e vem e olha para mim com ar curioso ou de quem se pergunta - Que raio de ave rara é esta que vem para aqui sozinha e a uma hora destas? Come o pãozinho, bebe o cházinho, vai tirando fotos aos jardim e ao pombos pelo meio (mas quem é que fotografa pombos, pensa ele) e, coisa estranha, não pára de escrevinhar? Mas escrevinhar o quê?
Enfim...esta é a minha versão, talvez a versão dele fôsse ligeiramente diferente da minha e eu a imaginar argumentos estranhos.
A parede à minha frente chama por mim: Paula Rego e Adriana Molder - A Dama Pé-de-Cabra. É hora de terminar o meu chá (coisinha que nunca mas nunca desperdiço) e ir deliciar-me com o talento desta senhora (sabe-se lá por quanto tempo). Nestes tipo de sítio, gosto de fazer as coisas ao meu ritmo próprio, muito característico (chato para quem porventura me acompanha mas por isso mesmo optei por vir sozinha). Gosto de ver, olhar, remirar, imaginar a história por detrás de quem pintou aquelas telas, o que lhe terá passado pela cabeça, absorver cada detalhe, cada minuto, cada segundo para mais tarde levar guardados na alma esses momentos, essas sensações e essas imagens, para fins terapêuticos e não só, quando chegar a altura de me ir embora.
Depois de passar por todas as salas, percurso que desta vez me parece bem mais curto (não sei se é impressão minha), quero dar um pulo à loja. Para quê? Para fazer o que faço sempre que vou a estes locais, comprar lápis, canetas, etc, é uma tara que não sei nem nunca saberei explicar. Tenho cadernos, caderninhos, agendas...no meu estojo e espalhados pela casa, clips de todas as cores mais fofas que existem, borrachas, afia-lápis, lapiseiras, agrafador prático mas vunitinho e respectivos agrafos. Eis que levo uma murraça no estômago ao ouvir dizer que a loja está fechada (Mas logo hoje???) porque a empregada está de folga e blá, blá, blá, e eu com a maior cara de parva deste mundo. Há um segurança que entretanto me pergunta se tenho mesmo alguma coisa para comprar e que nessa caso chamam alguém para a abrir só para mim e assim se resolve a questão, com a boa vontade e atenção de quem aqui trabalha. E aqui vou eu, feliz da vida para comprar lápis iguais aos que já tenho em casa mas de côres diferentes mas para mal dos meus pecados não há canetas. Não se pode ter tudo. Frase mais parvinha esta...mas porque raio não se pode ter tudo? Vou-me embora mas entretanto acho que vou dar um passeio a pé e fotografar o que me apetecer (sem ser pombos que esses já chegam por hoje).



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